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Domingo, Maio 01, 2005





Conversa comigo mesmo

Peguei-me pensando em você
No rosto cansado da noite solitária
No café desta manha.
No telefone que nunca toca
Nas horas que me sufoca
Das manhas que ando nu por ai
Das lembranças doces que tanto senti
O beijo que arranca um suspiro de quero mais
Os lábios que dançam sempre a procura de mais e mais
São segundos que ficam eternos de tanto prazer
E sem virar a página sabemos o que vamos fazer

O corpo inteiro não para de tremer
E sem palavras dizemos tudo o que sentimos
O clima muda a nossa volta
O mundo se cala neste segundo que fugimos
Tudo se encaixa....Tudo se molda

Rodeado por tantos objetos a minha foto se perde na estante
Um retrato de um antigo afeto do amado sem amante
Entre tantos rascunhos procuro a verdadeira poesia
Risco palavras...e o punho sente o que eu não sentia

Jogo flores pela janela, passo a minha vida nela.
Troco passos por letras e frases por ações
Amo mais a caneta do que velhas canções
Sempre a espera de um cometa entre tantas constelações

É muito tarde onde busco as horas
Esta muito seco e frio o doce lábio que se cala
São sonetos infinitos jogados fora
Folhas rasgadas, um verso sem rima...sem fala

O tempo vai levando...Manhas e tardes sem novidades
A musica nunca para dentro de mim
São passos iguais, ecos sem fim.
O vento deste inverno faz dançar as folhas que se libertam
Momentos em que todos os olhares se enxergam
Busquei sua mão no calor de um erro
Repeti minhas frias palavras em vão
Tentei resgatar algo que não devo
Corri ao lado do seu grito querendo mais um pouco de ração
Guardei momentos com lágrimas escondidas
Segurei palavras e desejos na própria língua
Perdi todos os perdões desprezados, sangrei no escuro..Um tempo parado

Laurinha



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